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16 maio, 2008

Sexta-feira é dia de dançar

Uma ótima notícia para quem gosta de eletrônico, mas não tem paciência para ir dançar nos lugares em que esse tipo de música geralmente toca (como eu), nem para ouvir o de sempre - tecno. A noite drum'n'bass de São Paulo volta a existir com o retorno da festa Subgrave. Antes na D-Edge às quartas-feiras, os bpm acelearados poderão ser ouvidos às sextas na nova casa Boca Club (que fica no 902 da Augusta).

Difícil de entender o porquê do drum'n'bass estar tão sumido da noite paulistana, já que é um estilo de novo em alta na Europa. Mas ainda bem que não estamos mais limitados ao minimal como opção de batida eletrônica pesada. O residente será o já tradicional DJ Andy. Nunca cheguei a passar na Subgrave nem na Lov.e, porque descobri o d'n'b recentemente. Imagino que a noite vá ser ao menos divertida.

Para comemorar, algumas músicas para criar um clima e apresentar um pouco do drum'n'bass a quem não conhece:


Pendulum - Girl in The Fire


Evol Intent - Flipside


Jem (Adam F. vs. Pendulum remix) - Just a Ride


Site Boca Club: http://www.bocaclub.com.br/

24 junho, 2007

Ensaio confuso sobre música eletrônica

:: Diogo BarbaRuiva


“Música eletrônica? Não, não costumo ouvir. Não tenho paciência.” É assim que os meus papos sobre o que ando ouvindo estão começando ultimamente. Batidas quadradonas não fazem o gosto da maioria dos amantes de música. Confesso meu preconceito contra esse estilo até bem pouco atrás. Percebi, porém, que há muito o que ser dito pela música eletrônica. É só ter saco.

Sem forçar a barra na analogia: o esforço de começar a apreciar as progressões dos DJs e produtores é parecido com o de ouvir a primeira sinfonia de nossas vidas. Fazer com que nos acostumemos ao formato de ambos os “ofícios” não é um trabalho passivo. Repetidas audições se fazem necessárias; pensar em parâmetros diferentes é o ponto crucial para entrar nesses universos um tanto descontínuos. O pop fez mal à nossa paciência.

De seis meses para cá, desenvolvi tal “saco”. É difícil de lembrar quando foi que tomei a decisão de sentar e esperar a música eletrônica acontecer para mim. Comecei pelo óbvio (o que estava ao meu alcance): psy-trance. Alguns amigos e amigas meus gostam de freqüentar raves. Fiz força e busquei no Myspace os nomes das duplas/DJs?produtores.
Achei meio chato. Não gosto de música de etê.

Adotando uma estratégia de eliminação, fui descendo o facão pelos estilos (aliás, inúmeros, impossível se ater a nomes). Hardcore techno, techno, house, beach house, digital hardcore, speedcore, terrorcore, breakcore, breakbeat, jungle, drum’n’bass, trance, psy-trance, acid-techno, acid trance, industrial, dark drum’n’bass. Escolher esse caminho é confuso. Apelei à Last.fm e me dei relativamente bem nas buscas.

Lembrei que gostava de Alec Empire e de seu disco ultra-pesado e quebrado, The Destroyer. A partir dele, achei mais nomes interessantes. Konflict, Messiah, Sub Focus, Hypnoskull, Pendulum. Pelos nomes posso dizer que cheguei a dois estilos que me agradam: harcore techno e drum’n’bass. Não o d’n’b do DJ Marky e do Mau Mau, mas um bem mais pesado, com cara de periferia londrina.

O interessante do d’n’b é sua versatilidade. Já encontrei diversos tipos de elementos em faixas desse estilo. Tem “Roda Viva”, do Chico Buarque, com a inconfundível batida quebrada, reggae, dub, rap, rock, heavy metal, industrial, até mesmo psicodélia. O importante é a batida ressonando no peito. Mais do que em outros estilos, eu diria. Há um quê de primitividade, uma tentativa de simplesmente fazer um barulho empolgante. Não há preocupação excessiva com a produção. Uma linha melódica simples é mais do que suficiente para dar alguma emoção à batida.

É o baixo quem dita as regras. Mesmo que se argumente a favor da batida, há sempre que se pensar no fato de que ela é muito parecida em quase todos os casos. Poucos produtores sabem faze-la suingar. Por isso precisamos do baixo. Ele faz quebrar o que a batida ainda não quebrou, e amarra a simplicidade do ritmo a uma linha melódica que muitas vezes não tem mais do que duas notas.

Londres, sempre Londres. Bem, talvez não só Londres, mas o Reino Unido é o lugar do mundo que mais sabe fazer música e lidar com ela. Tudo o que realmente importa no pop saiu de lá, seja direta ou indiretamente. O d’n’b não é exceção a essa regra.