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07 maio, 2008

Música da semana




Nome:
Center Of The Universe
Banda: The Dead Rocks
País: Brasil (SP)
MySpace: http://www.myspace.com/thedeadrocks



Os anos 50 e 60 definitivamente não morreram. Ainda é possível dançar rockabilly ao som de Jerry Lee Lewis na The Clock e ainda existe surf music à la Dick Dale sendo feita.

Assim como o blues, a surf music é um gênero que morreu nele mesmo. Tirando alguns momentos de exceção como Stevie Ray Vaughan no caso do primeiro e Man Or Astro Man? no segundo, os clichês são mais ou menos os mesmos desde que os pioneiros de ambos os estilos estavam gravando seus primeiros discos. Nem por isso deixa de ser divertido.

The Dead Rocks é uma banda que definitivamente deve valer a pena ver ao vivo. Quinta eles estarão no Vegas e sexta no CB, para quem quiser dar uma chance. No site oficial há muitos mp3 para download, vale a pena dar uma olhada.


De graça mesmo: o novo álbum do Nine Inch Nails e o bolor




Era mais do que se esperava da vaidade de Trent Reznor. Depois de cobrar apenas cinco dólares por um disco quádruplo (Ghosts I-IV) e de vender milhares de "pacotes especiais" (com CD e vinil) desse mesmo disco, o homem que é uma banda resolveu dar seu disco novo de graça logo de uma vez. Não só isso, ele pôs o álbum sob a licença Creative Commons, permitindo o uso das faixas em podcasts, blogs, remixes, etc.

The Slip tem dez faixas e é uma continuação da lógica iniciada em With Teeth: rock eletrônico pesado, mas menos industrial e mais próximo do pop. Mas ainda não passemos para a crítica musical deste post. Vamos começar pela nossa usual discussão sobre direitos autorais e sobre a internet como veículo de disseminação de conhecimento/arte/entretenimento.

O disco é de graça!
Levando "ao extremo" o que o Radiohead fez com seu último disco, In Rainbows, Trent Reznor pôs à nossa disposição todo o disco sem custo algum. Melhor que os ingleses, ele oferece várias opções de formato de áudio, desde mp3 até arquivos da mais alta qualidade, melhor do que CD. Mas o que o levaria a ser tão bondoso?

Bom, na verdade o disco ainda vai ser lançado em sua versão física, em CD, que será vendido em lojas de maneira convencional. Como In Rainbows também foi, aliás. Tem alguma coisa nessa equação da qual não sabemos. Digo isso porque não acredito que se trate de filantropia em nenhum dos dois casos. Tanto Reznor quanto Yorke e cia. não vão abrir mão de ganhar dinheiro simplesmente para ganhar a simpatia dos fãs (e com razão).

Os fatos comuns aqui são a possibilidade de se obter os discos em questão de graça e o fato de eles serem lançados posteriormente em CD, mesmo após "vazarem" pela mundo todo através da internet. Alguém vai dizer que o Nine Inch Nails ainda tem contrato com a Universal e por isso eles foram obrigados a também disponibilizarem o formato físico do álbum. Não é o caso: o contrato já acabou, a Universal só vai distribuir The Slip. A rigor, ele é como In Rainbows, um disco independente.

Chegamos a uma conclusão? Discos ainda são importantes, certo? Beleza, certo, ainda se ganha muito vendendo CDs. Divulgar na internet é essencial, podemos concluir também. Muito bom. Então estamos diante de um novo parâmetro revolucionário de comercialização da música! Cada vez mais teremos discos de graça, mais artistas lançarão arquivos zip dois meses antes de seu novo CD chegar às lojas! Revolução! Calma lá.

Quem põe música de graça na internet? Responda rápido.
Resposta: bandas independentes. Alguns exemplos são o The Dead Rocks, o The Black and White Years, o Downliners Sekt... E muitas outras MySpace e Last.fm afora. Por que diabos eles nos deixam baixar seu trabalho de graça? Porque eles não vendem discos. Ou se vendem, é um número irrisório, cujos rendimentos são engolidos pelas gravadoras estelionatárias. Vale mais a pena ficar conhecido e conseguir bons shows e tirar uma graninha garantida do que ficar preso a contratos de semi-escravidão criativa ganhando pouco a longo prazo.

E por que as bandas se sujeitam a esse tipo de constrangimento, por que elas assinam contratos com majors, minors e outras subsidiárias das grandes empresas de comercialização de música? Em primeiro lugar porque é muito caro gravar. É preciso um bom estúdio, com bons equipamentos e ótimos profissionais. Segundo, porque o know-how de distribuição e marketing está todo sob o monopólio das grandes gravadoras. O acesso ao meio é extremamente restrito, só entra quem tem cacife e um grande nome por trás.

Meu amigo, adivinhe quem acabou de se tornar independente, quem acabou de fazer o caminho inverso ao de uma banda independente que aspira ser alguém no mercado musical? Radiohead e Nine Inch Nails! Eles esperaram seus contratos expirarem e coincidentemente fizeram coisas parecidas com seus discos agora independentes. No que eles são diferentes das nossas bandas de MySpace e Last.fm lá de cima? Começa pelo estúdio. Milhões de dólares depois, as mais novas bandas independentes têm todo o conhecimento e equipamento para fazer em casa um disco do mesmo nível dos gravados nos grandes estúdios. Outra coisa, mais importante, é o nome. Ambos já são artistas muito famosos com anos de carreira. O empecilho de se fazer conhecido não existe aqui. No fim das contas, o que eles fizeram e estão fazendo é explorar eles mesmos o lucro que antes ficava com a gravadora.

Uma grande vantagem, não? Claro, mas nada muda para as bandas pequenas e sem nome. Essas continuam tendo que lutar por reconhecimento em meio a muita gente e tendo que competir com estratégias comerciais altamente elaboradas desenvolvidas por especialistas. As novas tecnologias de gravação estão reduzindo consideravelmente os custos de gravação de um bom disco, isso temos de reconhecer. Ótimos EPs como o do The Black and White Years talvez não existissem não fosse por isso. O problema, porém, ainda é o de quem determina o que as pessoas vão ouvir e de como isso vai chegar aos consumidores.

Estamos longe, apesar de cada vez mais perto, de um mercado, de uma mídia, de um mundo descentralizado e menos sujeito a monopólios (sejam reais ou culturais) de certos modelos de circulação de música, de certos jeitos de fazer a informação se disseminar. Portanto, não nos animemos com o fato de The Slip ser de graça. Obviamente que não ter de gastar 30 reais com um CD é uma vantagem para mim, um indivíduo com 30 reais a mais no bolso. Só que temos de pensar no contexto maior, na visão de cima da coisa, senão seremos enganados e repetiremos bobagens sem saber do que estamos falando. E faço aqui a minha mea culpa sobre toda a minha empolgação anterior com In Rainbows.

Afinal de contas, o CD é bom?
Depois dessa digressão enorme passemos à parte menos interessante da história. Confesso que esse raciocínio todo me deixou bem mais desanimado com The Slip do antes de começar a escrever. Não que seja um disco ruim, mas sinceramente, o Nine Inch Nails anda se repetindo muito.

Incomoda o fato de o disco ser muito parecido com os dois anteriores, With Teeth e Year Zero. Poderia ser um sinal de coerência, de projeto musical, só que não me parece o caso. Já faz três anos que Trent Reznor nos submete aos mesmos timbres, temas e ruídos. Admiro a coragem mudar o som industrial no NIN para um rock eletrônico mais acessível. O problema é que faltou imaginação. Já em Year Zero, o segundo da "trilogia" se percebia sinais de esgotamento. Ali ainda se identifica a força que Reznor mostrou em mesclar efeitos programados com instrumentos de verdade. Mas também já se percebe que o homem-banda começou a ficar um pouco perdido, sem inspiração.

Previsilibilidade é que faz de The Slip uma decepção. Ele é apenas a repetição de uma fórmula, o resto de uma intenção criativa. "Resto" num sentido negativo, algo requentado, misturado, que não se sabe bem do que se trata. Como quando o molho da carne ensopa o arroz e o purê de batata naquele prato deixado em cima da pia. Ainda é a comida da avó, mas com um aspecto feio, os aromas misturados, a comida fria. Cada grito, baixo distorcido e piano melódico estão bem colocados demais. Um disco pesado de butique (como se dizia dos punks de butique, artificiais).

O Nine Inch Nails está a poucos passos da irrelevância agora. Não há nada a ser dito, nada a ser mostrado. Está como o nosso prato de sobras em cima da pia. Parafraseando Arnaldo Baptista, o que me vem à cabeça depois de um dia de reflexão e audições de The Slip é: será que Trent Reznor vai virar bolor?


Onde baixar: www.nin.com




28 abril, 2008

É de graça: Nine Inch Nails

:: Diogo BarbaRuiva

O single mais recente do Nine Inch Nails está disponível para download de graça no site oficial da banda. Ainda aproveitando a onda In Rainbows, Trent Reznor parece que gostou de divulgar seus discos na internet.

Quanto à música em si, a faixa "Discipline", mais do mesmo. Batidinha dançante (com bateria, parece), baixo rasgado, efeitos eletrônicos e a voz rouca de Reznor dando seus gritos aparentemente desesperados. Nem bom, nem ruim. O problema é que hoje não existem boas bandas pesadas e o Nine Inch Nails preenche esse vácuo senão de maneira original, pelo menos competentemente.

Nine Inch Nails - "Discipline"



Outra banda desse estilo que ainda faz valer a pena gostar de rock mais pesado é a Irlandesa Therapy?. Com vinte anos de existência, Andrew Cairnes (o dono da bagaça) não lança disco da banda desde 2006, portanto, provavelmente algo novo vem esse anos.

Therapy? - "Rise Up" (de Never Apologise, Never Explain)

13 fevereiro, 2008

Preste Atenção - Downliners Sekt


:: Diogo BarbaRuiva


No Eu Garimpo nós temos louvado constantemente a iniciativa do Radiohead de não fixar um preço para o download do disco In Rainbows enquanto ele esteve disponível para download. Vimos essa atitude como algo possivelmente revolucionário, como uma forte balançada na indústria musical. Tem sido difícil encontrar opiniões que destoassem disso. Na maioria dos veículos de mídia o tom foi o mesmo que o nosso. Porém, nem todo mundo concorda com isso, e têm bons argumentos para defender tal posição.

Downliners Sekt é um coletivo de música baseado em Paris, Londres e Barcelona. São três lugares porque, segundo eles, o trabalho é feito trocando arquivos pela internet. Eles se recusam a dar seus nomes e a enumerar suas influências. A única coisa que admitem é que o nome foi "emprestado" de uma banda de rock dos anos 60, o Downliners Sect (com "c" mesmo). Além de produzirem música eletrônica o nome do coletivo é também o de um netlabel, um selo de distribuição baseado na internet. Tudo o que foi produzido nos três anos de existência do selo e do coletivo (três ábuns, no total) está disponível para download no site do selo, de graça.

Semelhanças com o Radiohead? Para o Downliners Sekt, não são muitas. A perspectiva do projeto multinacional é muito mais radical. A estratégia de In Rainbows é vista como um mero golpe de marketing, como apenas mais uma maneira de ganhar dinheiro sem realmente subverter ou inverter a lógica de comercialização da música. O desejo é o de que a indústria da música se exploda, que dê tudo errado, que falências aconteçam. Por isso o apoio do Downliners Sekt às trocas ilegais de arquivos na internet e às rede peer-to-peer (p2p).

São dois lados de uma discussão. Uma vertente procura desmantelar parâmetros convencionais sem questionar a necessidade do lucro. A outra, bem mais radical, vê na extinção do capitalismo a única possibilidade para que a música seja música de verdade e não produto.

Falando da música em si, o Downliners Sekt privilegia os ambientes, quase como uma banda de shoegaze (exemplos: The Jesus and Mary Chain, Slowdive, My Bloody Valentine, Sigur Rós) mas orienta a composição para a música eletrônica. Há momentos em que o jungle e o drum'n'bass são citados fortemente, como em "Ohrwurm". Como projeto experimental o som é interessante. muito bem-feito. Mas é música específica e não tem a menor intenção de parecer pop.

No site deles há um FAQ (perguntas frequentes) muito interessante para quem gosta da discussão sobre a autoria da música e o download legal ou ilegal de mp3. E ainda é possível baixar toda a discografia do selo e do projeto.


Downliners Sekt


Site

MySpace